sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Médicos britânicos testam ressonância magnética de fetos em 3D



ressonancia-magnetica-atmSegundo os especialistas, o exame deve permitir melhores diagnósticos de problemas no cérebro, como crescimento anormal, deformidades, ferimentos e outras alterações que podem levar à paralisia cerebral ou ao autismo.

As pesquisas estão sendo feitas no Hammersmith Hospital, em Londres.

O uso do exame de ressonância magnética para observar o desenvolvimento do feto é rotineiro em vários hospitais, mas a equipe do hospital londrino é a primeira a oferecer o novo ultrassom em 3D.

O exame tradicional é menos efetivo porque os pacientes têm de ficar imóveis enquanto ele é feito, o que torna difícil obter-se imagens do feto no útero com boa qualidade.

A pesquisadora Mary Rutherford, envolvida no estudo, disse que a equipe contornou o problema fazendo imagens múltiplas do cérebro do bebê e sobrepondo-as umas às outras para criar uma imagem tridimensional.

“Estas informações vão ajudar os obstetras a decidir se um bebê tem grandes chances de apresentar problemas de desenvolvimento ou se é indicado fazer um parto mais cedo, já que o crescimento do cérebro pode ser melhor fora do útero”, disse Rutherford à BBC.

Como parte do estudo, o Hammersmith Hospital oferecerá a todas as pacientes grávidas a oportunidade de fazer o exame.

Desta forma, os pesquisadores poderão reunir um grande número de imagens de cérebros, normais ou não, para suas análises, disse Rutherford.

“O que estamos tentando fazer com os exames de ressonância magnética em fetos é melhorar nossa compreensão de como o cérebro do feto se desenvolve, tanto de forma anormal como normal.”

Belas Imagens

Rutherford explicou que a equipe vem estudando o cérebro dessa forma há dois anos e agora está se concentrando em problemas específicos, como a restrição ao crescimento do feto no útero, um problema que produz altos índices de mortalidade.

“Este é um problema real em obstetrícia. Os bebês que sobrevivem freqüentemente nascem prematuramente e são suscetíveis a alterações no cérebro e inflamações nas vísceras”, disse a especialista.

“E mesmo se eles conseguem escapar desses problemas, se você os observa na escola, eles não se saem tão bem como seus colegas, ou seja, alguma coisa está afetando o seu desenvolvimento”.

Rutherford disse que a equipe deve monitorar as crianças afetadas por restrição ao crescimento durante pelo menos dois anos e, possivelmente, na fase escolar.

Ela disse que a simples observação do cérebro já permite ver áreas de preocupação – um cerebelo pequeno, por exemplo, pode estar associado ao comportamento autista.

Ventrículos grandes podem estar associados a dificuldades de aprendizado.

Rutherford disse, no entanto, que para a maioria dos pais, cujos bebês não têm problemas, os exames em 3D são uma experiência positiva. E a equipe oferece cópias do exame aos pais.

“Essas imagens são simplesmente maravilhosas”, disse a especialista. “Em alguns casos, quando o bebê morre, isso é única imagem que vão poder guardar”, disse.

Bebê Miller

A britânica Sian, que perdeu seis bebês em gestações anteriores, tem um filho de um ano e meio e está grávida do bebê Miller.

Ela fez o exame de ressonância magnética e concluiu que o feto, com quase sete meses, está bem.

“Me preocupo a cada minuto de cada gravidez, então esse exame, com 27 semanas de gravidez, me tranqüilizou.”

“Foi ótimo, dava para ver o bebê engolindo e se mexendo. Tudo parece normal.”

Fonte: BBCBrasil.com

Cientistas provocam ‘autodestruição’ de células de HIV




HIVCientistas de Israel afirmam ter descoberto uma nova forma de eliminar células infectadas com HIV, em um processo que provoca a autodestruição de células contaminadas.


Pela técnica desenvolvida pelos cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém, as células infectadas com HIV recebem um DNA viral, que faz com que a célula morra. A técnica não afetou as células não-infectadas.
Até o momento, a técnica foi desenvolvida apenas em pequena escala, com poucas células. Nenhum teste foi realizado em humanos.

A pesquisa será publicada em breve na revista científica Aids Research and Therapy.
Os pesquisadores afirmam que a técnica poderia levar a um tipo de tratamento contra o vírus HIV.
O melhor tratamento disponível atualmente – à base de antiretrovirais – é eficaz no combate à replicação de células infectadas, mas ele não consegue eliminá-las.

Segundo o artigo, assinado pelo professor Abraham Loyter e sua equipe, o método desenvolvido no laboratório “resultou não só no bloqueio do HIV-1, mas também exterminou as células infectadas por apoptose [autodestruição]“.

O artigo faz a ressalva, no entanto, de que há mais de um tipo de vírus HIV e que o trabalho da equipe está apenas nos estágios iniciais.

Os pesquisadores acreditam que o trabalho pode ajudar no desenvolvimento de um novo tipo de tratamento no futuro contra a AIDS.

Fonte: BCC

Contrastes usados em ressonância magnética podem causar síndrome rara



Contrastes usados em ressonância magnética
Substância presente nos contrastes pode ser fatal para pacientes com insuficiência renal

A agência reguladora americana de alimentos e medicamentos (FDA) emitiu um alerta, para medicamentos com base em três substâncias utilizadas para fazer o contraste em exames de ressonância magnética. Essas substâncias, que permitem visualizar melhor os órgãos, também podem provocar uma síndrome rara, mas potencialmente mortal.

O problema é o gadolinium, presente em substâncias injetáveis como a Magnevist, Omniscan e Optimark. O gadolinium, já conhecido por sua toxicidade hepática, é um metal dotado de propriedades magnéticas particulares, que permitem observar melhor os órgãos durante exames de ressonância. Ele pode desencadear a dermopatia fibrosante nefrogênica, uma esclerodermia sistêmica que afeta, sobretudo, as pessoas que sofrem de insuficiência renal. Pode ser fatal.

A FDA determinou que de hoje em diante uma advertência deverá constar nos frascos das substâncias. Em seu alerta, a entidade insiste na necessidade de se examinar os pacientes, antes da realização de exames de ressonância, a fim de determinar se eles sofrem de insuficiência renal crônica.

O Magnevist é comercializado pela Bayer Healthcare; o Omniscan, pela GE Healthcare, e o Optimark, pela Covidien.

Fonte:

http://veja.abril.com.br

Ressonância magnética rápida pode indicar transtornos psicológicos futuros



RMPesquisa comprova que dados de imagem cerebral oferecem ajuda extensa no acompanhamento do desenvolvimento anormal do cérebro


Cientistas da Washington University School of Medicine, em St. Louis (Estados Unidos) mostraram que apenas cinco minutos em um scanner pode revelar o quanto o cérebro de uma criança irá se desenvolver até a maturidade e, potencialmente, lançar luz sobre uma série de transtornos psicológicos e de desenvolvimento que podem vir a surgir.

Para os pesquisadores, este estudo comprova que dados de imagem cerebral podem oferecer uma ajuda mais extensa no acompanhamento do desenvolvimento anormal do cérebro.

“O pediatra regularmente avalia como seus pacientes estão em termos de altura, peso e outras medidas, e, em seguida, combinam estes dados em curvas e os comparam com as faixas típicas de desenvolvimento”, disse o autor sênior do estudo, Bradley Schlaggar. “Quando o paciente se desvia muito fortemente das escalas padronizadas ou muda de repente de um caminho de desenvolvimento para outro, o médico sabe que há uma necessidade de começar a perguntar o porquê disso.”

Schlaggar e seus colegas dizem que uma nova maneira de avaliar os dados de análises cerebrais pode ser capaz de fornecer uma orientação semelhante para acompanhamento e tratamento de pacientes com transtornos psiquiátricos e de desenvolvimento.

A equipe de pesquisa realizou exames de ressonância magnética em crianças com distúrbios psiquiátricos profundos e óbvios, e os resultados não mostraram nenhuma anormalidade notável.

A equipe de pesquisa usou uma abordagem de análise do cérebro chamada “conectividade funcional no estado de repouso”. Ao correlacionar o aumento ou a diminuição do fluxo sanguíneo para as regiões cerebrais diferentes, enquanto os participantes descansavam no scanner, os cientistas determinaram quais regiões trabalham juntas em redes cerebrais.

Em um estudo publicado em 2009, cientistas da Universidade de Washington mostraram que, conforme o cérebro amadurece, estas redes cerebrais se alteram. A organização global muda de redes que envolvem regiões fisicamente próximas umas das outras, dominante no cérebro de uma criança, para redes que conectam regiões distantes, organização principal em cérebros adultos.

“A beleza deste método é que ele permite que você avalie o que é diferente em crianças com autismo, por exemplo, que estão fora da curva de desenvolvimento normal”, disse Schlaggar.

“Esta abordagem poderá permitir o tratamento antes do aparecimento dos sintomas e deve ajudar os médicos a acompanharem com mais rapidez e mais de perto, os resultados dos ensaios clínicos de novas terapias.

Fonte:

http://www.isaude.net

Ressonância magnética nuclear melhora o desenvolvimento de medicamentos





Nova abordagem ajuda no processo de purificação de proteínas importantes que facilitam a criação de novas drogas

Cientistas no Centro de Biotecnologia e Estudos Interdisciplinares (CBIS) no Instituto Politécnico Rensselaer, nos Estados Unidos, estão usando a ressonância magnética nuclear (RMN) para entender e melhorar o processo de purificação de proteínas importantes que facilitam a criação de novos medicamentos.

A purificação dos componentes de medicamentos é um grande obstáculo para o desenvolvimento de drogas modernas. Isto é particularmente verdadeiro em drogas que utilizam as proteínas, que são notoriamente difíceis de separar de outras impurezas potencialmente mortais.

“Esperamos usar nossas percepções para ajudar àqueles na indústria a desenvolver melhores processos para fornecer medicamentos menos caros e reduzir drasticamente os custos de saúde”, disse o autor do estudo, Steven Cramer.

O processo de cromatografia multimodal gerou recentemente grande interesse na indústria farmacêutica. Na sua forma mais básica, este processo separa as proteínas de suas matérias circundantes, tais como o DNA e outras proteínas. O processo funciona através do incentivo a proteína desejada para que ela se uma a um material que contém um ligante, um tipo de cola molecular. Cada ligante é atraído apenas a certas partes de determinadas proteínas. Após ter sido separada da mistura, as proteínas específicas podem ser obtidas em sua forma mais pura, facilitando a sua eventual utilização como bioterapêutico.

Quanto mais seletivo o ligante é a uma proteína específica, mais eficiente é o processo, e menos passos adicionais são necessários para produzir o medicamento final. Isso resulta em redução de custos para a produção da droga. Mas, apesar de sua ampla utilização e benefícios, muito pouco se sabe sobre como o processo realmente funciona ou como os ligantes podem ser melhorados.

“Estamos tentando entender exatamente o que está tornando estes materiais tão úteis para a separação de proteínas”, disse Cramer. “E o que nós estamos tentando descobrir são as interações fundamentais no processo de cromatografia para tornar as separações possíveis e eficientes.”

“Esta pesquisa está nos ajudando a desenvolver uma compreensão fundamental de seletividade”, acrescentou Cramer.

Juntamente com sua equipe, Cramer vai tentar melhorar a qualidade dos ligantes e desenvolver processos melhorados para a purificação dos medicamentos.

Fonte: http://www.isaude.net

chip devolve visão a cego




Cientistas da Alemanha implantaram um chip atrás de um das retinas do finlandês Mikka Terho e ele afirma ter voltado a enxergar.

Terho, que sofre de uma rara doença hereditária chamada retinite pigmentosa, começou a ficar cego durante a sua adolescência.

O chip é um apenas um protótipo que fornece avisos visuais, mas os pesquisadores estão tão entusiasmados com os resultados que já pensam em realizar testes no Reino Unido.

O comitê de ética britânico aprovou testes com 12 pessoas no país, que serão realizados em Oxford e em Londres.

Essa não é a primeira vez que chips são usados para recuperar a visão. Em outros experimentos, uma câmera montada em óculos envia informações para chips implantados na retina.

Porém, o experimento com o chip alemão promete usar os olhos dos próprios cegos para fazê-los enxergar novamente.

Fonte: BCC

Descoberta sobre anticorpos pode levar à cura do resfriado



Cientistas britânicos dizem que uma mudança fundamental no entendimento de como o corpo combate infecções virais pode auxiliar o combate a doenças causadas por vírus – entre elas, o resfriado comum.


Até hoje, especialistas pensavam que os anticorpos produzidos pelo organismo combatiam infecções virais bloqueando ou atacando os vírus fora das células.

No entanto, pesquisadores do Conselho de Pesquisa Médica (MRC, na sigla em inglês), na Grã-Bretanha, concluíram que os anticorpos podem penetrar nas células e lutar contra os vírus uma vez lá dentro.

Antivirais

Segundo um artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, a descoberta pode abrir caminho para a criação de novas drogas antivirais.

Os cientistas do Laboratório de Biologia Molecular do MRC, em Cambridge, Inglaterra, enfatizaram que serão necessários anos de trabalho e de testes para que sejam desenvolvidas novas terapias.

Eles também dizem que essa possível nova estratégia de combate não teria efeito sobre qualquer tipo de vírus.

“Os vírus são os grandes matadores da humanidade em todo o mundo, matam duas vezes mais pessoas por ano do que o câncer”, disse à BBC o chefe da equipe, Leo James.

Ele explicou que quando um paciente sofrendo de uma infecção viral, como um resfriado, vai a um médico, não há muito o que o médico possa fazer. Antibióticos só são efetivos no combate a bactérias – não vírus.

“(Essa descoberta) nos dá uma estratégia completamente nova para a criação de novos tipos de antivirais contra uma gama de vírus, como o do resfriado comum e o da gastroenterite”, disse o chefe da equipe, Leo James.

“Claro que ainda é muito cedo, não vamos ter uma cura amanhã”, ressaltou.

Embora o resfriado comum não tenha cura hoje, seus sintomas costumam desaparecer espontaneamente em até dez dias.

Novo paradigma

Já há algumas drogas antivirais disponíveis para auxiliar o tratamento de certas doenças. Entre elas estão os medicamentos usados por portadores do vírus HIV.

Mas as revelações feitas pela equipe do MRC transformam o pensamento científico anterior a respeito da imunidade do homem contra doenças provocadas por vírus.

O estudo mostrou que os anticorpos podem entrar nas células e, uma vez lá dentro, desencadear uma resposta, auxiliada por uma proteína chamada TRIM21.

Essa proteína empurra o vírus para dentro de um sistema de excreção usado pela célula para se livrar de materiais indesejados.

Os pesquisadores verificaram que esse processo acontece rapidamente, normalmente antes de que a maioria dos vírus tenha oportunidade de prejudicar a célula.

Eles também descobriram que aumentar a quantidade de proteína TRIM21 nas células torna o processo ainda mais efetivo, o que aponta o caminho para a criação de drogas antivirais melhores.

O vice-diretor do Laboratório de Biologia Molecular do MRC, Greg Winter, disse: “Essa pesquisa não representa um avanço apenas na nossa compreensão de como e onde os anticorpos atuam, mas também no entendimento geral da imunidade e das infecções”.

Fonte: BBC

Ressonância magnética ajuda mulheres com alto risco de desenvolver câncer de mama




Para mulheres com alto risco de câncer de mama devido a mutações genéticas ou histórico familiar, exames anuais de ressonância magnética, além de mamografias e exames de mama, podem salvar vidas, conforme descobriu um novo estudo.


O estudo, o primeiro a medir a sobrevivência num grande número de mulheres em alto risco que passaram por ressonância magnética, descobriu que, depois de seis anos de acompanhamento, 93% das portadoras de mutação com câncer ainda estavam vivas, em comparação a 74% das que estavam vivas em cinco anos em estudos anteriores.

No novo estudo, todas as mulheres em alto risco devido ao histórico familiar ainda estavam vivas após seis anos.

Especialistas começaram, há muitos anos, a recomendar exames anuais de ressonância magnética, além de mamografias, para mulheres em alto risco, pois esse exame é melhor para descobrir tumores.

As mamografias ainda detectam alguns tipos de câncer que a ressonância não detecta, então mulheres em alto risco geralmente são aconselhadas a fazer ambos os exames.

Mas até agora os pesquisadores não sabiam se a combinação de ambos os exames salvava vidas.

“Sempre deduzimos que, se detectarmos o câncer cedo, os pacientes se saem melhor”, disse a Dr.

Maxine Jochelson, diretor de exames de imagem do centro de mama e imagens do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Manhattan (ela não esteve envolvida no estudo).

“Este é o primeiro estudo que realmente contou com um grande número de mulheres e mostrou que, se detectarmos a doença cedo, isso se traduz, sim, em resultados melhores”.

As descobertas podem oferecer uma prorrogação a mulheres com alto risco que achavam que ter os seios removidos preventivamente era a única forma de evitar o câncer e salvar suas vidas.

Mais mulheres também podem estar dispostas a realizar testes para mutações, já que pode haver uma forma menos drástica de lidar com elas.

“Com exames cuidadosos de ressonância magnética, exames clínicos da mama e mamografias, todas as mulheres em alto risco de desenvolvimento de câncer de mama podem tomar uma decisão racional para não se submeterem a uma mastectomia profilática como intervenção de redução de risco”, afirmou o Dr.

Andrew D.

Seidman, especialista em câncer de mama do Memorial Sloan-Kettering, que não esteve envolvido no estudo.

Mas até mesmo exames cuidadosos podem não proteger tão bem quanto a cirurgia preventiva: quatro mulheres no estudo, todas com mutações BRCA, morreram de câncer de mama.

Exames de mama por ressonância magnética não são recomendados para a maioria das mulheres, que possuem apenas um risco médio de desenvolver câncer de mama, pois os exames encontram muitas possíveis anormalidades e levam a exames e biópsias repetidas para elementos que podem ser inofensivos.

Mesmo neste estudo com mulheres em alto risco, cerca de 10% das descobertas suspeitas de exames de ressonância magnética eram falsos positivos.

O novo estudo, publicado online no “The Journal of Clinical Oncology”, envolveu 2.157 mulheres em alto risco na Holanda.

Algumas tinham mutações em genes, chamadas de BRCA1 ou BRCA2, que produzem um risco de desenvolver câncer de mama ao longo da vida de 50% a 85%.

Outras tinham riscos de 15% a 50% com base no histórico familiar (o risco de uma mulher típica é de 12,2%).

A pesquisa foi conduzida pelo Dr.

Jan G.M.

Klijn, professor emérito de oncologia média da Universidade Erasmus, em Roterdã.

Klijn e Seidman disseram que pode valer a pena considerar se mulheres em alto risco devem se submeter a uma ressonância magnética duas vezes por ano.

Mas esse exame é caro – de US$ 2 mil a mais de US$ 6 mil.

Uma fraqueza do estudo é que não ouve grupo controle.

Todas as mulheres fizeram exames de ressonância magnética, então os pesquisadores tiveram de usar um método menos confiável, comparando seus resultados com estudos anteriores com mulheres que não fizeram esse exame.

Criar um grupo controle não seria ético, pois as mulheres tinham alto risco de desenvolver a doença e havia motivo para crer que a ressonância as ajudaria.

Uma descoberta impressionante foi que, em mulheres com mutação BRCA1, a ressonância magnética foi muito melhor que mamografia: a ressonância descobriu 66,7% de casos de câncer no grupo de mulheres, mas a mamografia descobriu apenas 25%.

“A diferença é grande, maior do que eu esperava”, disse a Dra.

Linda Moy, especialista em exames de imagem de mama do New York University Langone Medical Center.

Moy disse que as novas descobertas enfatizam a necessidade de acompanhar de perto as portadoras de mutação através de exames de ressonância magnética.

Fonte:

© 2010 New York Times News Service

Médicos britânicos tratam vítima de derrame com células-tronco


Médicos britânicos injetaram células-tronco no cérebro de um paciente vítima de derrame, como parte de um estudo para descobrir um novo tratamento para a doença.


O homem idoso, que não apresentava melhora em seu estado de saúde havia muitos anos, é a primeira pessoa no mundo a receber o tratamento experimental, que envolve 12 pacientes do Southern General Hospital, em Glasgow, na Escócia.

Ele recebeu uma injeção com uma pequena dose de células-tronco no último fim de semana, já recebeu alta e, segundo os médicos, passa bem.

O objetivo do teste inicial é garantir que o procedimento seja seguro para os pacientes.

Durante o próximo ano, outras vítimas de derrame cerebral receberão doses progressivamente maiores, ainda para descobrir se o tratamento não apresenta altos riscos.

Mas os médicos também examinarão os pacientes para verificar se as células-tronco conseguiram restaurar as células do cérebro e se seu estado de saúde melhorou.

O tratamento experimental recebeu críticas porque usou células cerebrais de fetos para gerar as células-tronco, mas os criadores do projeto alegam ter recebido aprovação ética do órgão regulador da medicina na Grã-Bretanha e dizem que apenas um pequeno número de fetos foi usado nos primeiros estágios da pesquisa e agora eles não seriam mais necessários.

Primeiros passos

O neurocientista Keith Muir, professor da Universidade de Glasgow e médico do Southern General Hospital, diz que se os testes forem bem sucedidos eles podem levar a pesquisas mais detalhadas.

“Esperamos que no futuro isso leve a estudos mais amplos para determinar a eficácia das células-tronco no tratamento das deficiências causadas pelos derrames”, disse ele.

O primeiro grupo de pacientes a receber o tratamento experimental é formado por homens acima de 60 anos que não apresentaram melhora de seus sintomas ao longo de vários anos.

Ter um grupo de pacientes com critérios tão limitados permite que médicos e cientistas comparem melhor qualquer avanço em seu estado de saúde, mesmo nos estágios iniciais da pesquisa.

Se os testes obtiverem bons resultados, os cientistas pretendem levar adiante estudos envolvendo grupos maiores de pacientes, daqui a dois anos.

Fonte: BCC

Estudo detecta vírus que pode ser causa de câncer de próstata




Um estudo americano encontrou evidências de que o câncer da próstata pode, talvez, ser causado por um vírus.


O vírus, conhecido como XMRV, causa leucemia e sarcomas em animais.

Pela primeira vez, ele foi identificado em células cancerosas de tumores malignos da próstata, dizem pesquisadores das universidades de Utah e Columbia, nos Estados Unidos.

Se for confirmado que o XMRV (xenotropic murine leukemia virus-related virus) causa câncer da próstata em humanos, o caminho estará aberto para a criação de testes para diagnóstico, vacinas e tratamentos para o câncer, segundo o estudo, publicado na revista científca Proceedings of the National Academy of Sciences.

Nos Estados Unidos, o câncer da próstata é o segundo tipo de câncer mais comum a afetar os homens, ficando atrás apenas do câncer de pele. De acordo com as estatísticas, cerca de 200 mil homens deverão desenvolver o câncer da próstata neste ano no país.

Os especialistas examinaram mais de 200 casos de câncer de próstata e compararam os tecidos cancerosos com tecidos extraídos de mais de cem próstatas saudáveis.

Eles constataram que 27% dos cânceres continham o vírus XMRV, comparados a apenas 6% dos tecidos saudáveis.

Proteínas do vírus foram encontradas quase que exclusivamente em células de tumores malignos, uma indicação de que a infecção pelo XMRV pode estar diretamente associada à formação de tumores.

“Descobrimos que o XMRV estava presente em 27% dos cânceres de próstata que examinamos e que estava associado aos tumores mais agressivos”, disse Ila R. Singh, pesquisadora da University of Utah e principal autora do estudo.

“Ainda não sabemos se este vírus causa câncer nas pessoas, mas esta é uma importante questão que vamos investigar”.

O estudo levanta muitas outras questões sobre o XMRV, como, por exemplo, se ele também infecta as mulheres, se é transmitido sexualmente, quão comum seria na população e se estaria associado a cânceres de outros tecidos além da próstata.

Vários cânceres são causados por vírus. Entre eles estão os sarcomas, os linfomas e o câncer do colo do útero.

Fonte: BCC

Novo equipamento de ressonância magnética ajuda visualizar gordura do corpo



Um estudo realizado na Grã-Bretanha está fornecendo imagens inéditas para que cientistas analisem com mais precisão os efeitos do excesso de gordura no organismo.


Graças a um aparelho especial de ressonância magnética, que permite realizar imagens do corpo inteiro de um paciente, o painel interdisciplinar que realiza a pesquisa pode visualizar com clareza o depósito de gordura em torno de órgãos vitais de pessoas acima do peso.




“Esse tipo de imagem mostra como a gordura se distribui pelo organismo, o que é fundamental para entender a relação entre a genética e os fatores ambientais na obesidade”, explicou à BBC Jimmy Bell, chefe do grupo de imagem metabólica e molecular do Imperial College, em Londres.

“Até agora a medição da quantidade de gordura no organismo era feita de maneira indireta, através de recursos como a bioimpedância ou o cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC).”

Problemas de saúde

O estudo, iniciado há dez anos e financiado pelo Medical Research Council britânico, pretende ajudar especialistas em obesidade a desenvolver uma metodologia para ajudar seus pacientes a lutar contra o problema.

“Combinando o conhecimento sobre a genética, a distribuição da gordura e o estilo de vida do paciente, o médico poderá sugerir menos mudanças de hábito e medidas mais eficazes para ele perder peso”, disse Bell.

O acúmulo de gordura em torno de órgãos como o coração, o fígado e os pulmões, por exemplo, pode levar a problemas cardíacos e respiratórios.

Mas o estudo sugere que a gordura instalada em outras partes do corpo, como abdômen, joelhos, pés, pescoço e bacia pode incentivar o surgimento de problemas como câncer, artrite, infertilidade, depressão, dificuldades de locomoção, dores de cabeça e varicose, entre outros.

Para Bell, no entanto, o desafio de se usar a ressonância magnética para acompanhar pacientes obesos está no preço do equipamento.

“É algo muito caro. Muitos hospitais públicos têm apenas um e uma fila enorme para usá-lo”, disse. “Idealmente, para fazermos o acompanhamento necessário seria preciso pelo menos uma sessão de ressonância por ano.”

“De qualquer maneira, a obesidade já é um grande consumidor dos recursos públicos de saúde na Grã-Bretanha e vai continuar sendo para várias seguradoras em todo o mundo”, concluiu.

Fonte:

http://www.bbc.co.uk

Recomendações Exame PET/CT em oncologia



Com o desenvolvimento do método de exame PET/CT com 18F-FDG , aplicações em Oncologia e disseminação em nosso meio, faz-se necessário um consenso na sua utilização particularmente entre os membros da Sociedade Brasileira de Cancerologia e a Sociedade Brasileira de Biologia, Medicina Nuclear e Imagem Molecular.Veja a proposta apresentada por representantes das duas entidade.

Lista de recomendações do Exame PET/CT com 18F-FDG em Oncologia. Consenso entre a Sociedade Brasileira de Cancerologia e a Sociedade Brasileira de Biologia, Medicina Nuclear e Imagem Molecular*

INTRODUÇÃO

A medicina atual apresenta inúmeros desafios à prática clínica aos médicos assistentes no cuidado diário de seus pacientes. A crescente evolução e avanço dos métodos de imagem no diagnóstico e no acompanhamento de doenças geram um aumento considerável no custo referente à incorporação dessas novas tecnologias no sistema de saúde. Assim, um dos maiores desafios que a sociedade vem enfrentando é solucionar a questão sobre a utilização de métodos diagnósticos mais precisos nos cuidados aos pacientes versus os custos associados à incorporação dessas novas tecnologias.

Em meados da década de 80, a tomografia por emissão de pósitrons (PET), utilizando a fluordesoxiglicose marcada com flúor-18 (18F-FDG), foi introduzida como método de imagem in vivo da atividade metabólica do corpo humano. Desde então, inúmeras publicações científicas promoveram inegável avanço na prática clínica oncológica. As células malignas, em sua grande maioria, apresentam alto metabolismo glicolítico comparado aos tecidos normais. Esta diferença no consumo de glicose favorece a detecção de doença pela 18F-FDG PET. Assim, notou-se uma mudança no paradigma de avaliação dos tumores, historicamente avaliados através dos métodos de imagem morfológicos como a tomografia computadorizada (CT), para uma análise associada baseada no metabolismo. Uma vez que os processos metabólico-bioquímicos precedem as alterações morfoestruturais, é inexorável verificar as vantagens na avaliação, tanto no diagnóstico quanto no acompanhamento, de pacientes oncológicos através da PET. A 18F-FDG PET auxilia no diagnóstico de neoplasias (diferenciando tumores benignos de malignos), no estadiamento, na avaliação da resposta terapêutica precoce e tardia, na avaliação de recidiva tumoral e no reestadiamento de pacientes oncológicos.

Em 2001, mais um avanço tecnológico foi alcançado com a incorporação da CT à PET, formando os equipamentos híbridos PET/CT. Estes equipamentos permitem a aquisição sequencial imediata de imagens de CT e PET, tornando o método ainda mais completo, agregando e localizando as alterações metabólicas com base nas informações anatômicas em um único exame. A constatação de seus excelentes resultados em termos de acurácia e efetividade clínicas permitiu a rápida disseminação do método, culminando com o reembolso do exame por inúmeros programas e sistemas de saúde nos EUA, Europa e em alguns países em desenvolvimento.

No Brasil, a metodologia PET foi inicialmente introduzida em 1998 com as câmaras de cintilação com circuito de coincidência. Posteriormente, em 2003, equipamentos PET-dedicados e PET/CT foram gradativamente incorporados ao arsenal diagnóstico. Recentemente, notou-se um aumento crescente no número de equipamentos instalados em instituições públicas e privadas, associado a um número, também crescente, de instalações de cíclotrons (equipamentos que produzem os isótopos emissores de pósitron utilizados na realização dos exames). Os cíclotrons existentes no Brasil estão localizados em diferentes regiões do país, o que possibilita a descentralização da realização dos exames de PET/CT.

Devido à comprovada efetividade clínica do método e à falta de um consenso na utilização do método no país, a Sociedade Brasileira de Biologia, Medicina Nuclear e Imagem Molecular (SBBMN) e a Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC) reuniram-se com o intuito de elaborar uma Lista de Recomendações do Exame PET/CT com 18F-FDG em Oncologia. O objetivo desta lista é definir recomendações clínicas para o uso do exame PET/CT em oncologia. O trabalho de elaboração contou com a participação de profissionais experientes nas áreas de medicina nuclear e de oncologia representando as respectivas sociedades. A elaboração desta lista contou também com a colaboração de um médico nuclear indicado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Como resultado deste trabalho conjunto, uma lista de recomendações bem estabelecidas quanto ao uso da 18F-FDG PET/ CT em oncologia foi elaborada. As sociedades participantes do trabalho tiveram grande preocupação em definir as condições clínicas às quais o exame de 18F-FDG PET/CT pudesse agregar valores reais aos pacientes, reduzindo os custos de sua utilização. Os profissionais participantes do trabalho acreditam que a existência de uma lista de recomendações de uso do exame de 18F-FDG PET/CT no país será de grande importância, uma vez que poderá servir de referência para as indicações do procedimento, pois o método constitui-se em uma poderosa ferramenta para a condução adequada de pacientes portadores de diferentes tipos de tumores.

O resultado deste trabalho, oficialmente divulgado em sessão plenária especial durante o Congresso Brasileiro de Oncologia em outubro de 2009, em Curitiba, PR, contou com a participação dos presidentes das respectivas sociedades, membros integrantes das comissões das especialidades e representantes do INCA.

As recomendações quanto ao uso da 18F-FDG PET/CT em oncologia foram estabelecidas mediante uma busca da melhor evidência clínica na literatura médica e categorizadas como: adequada (classe IA), aceitável (classe IB), auxiliar (classe IIA), ainda desconhecida (classe IIB) e desnecessária ou sem dados suficientes disponíveis (classe III)(1,2). Com o intuito de estabelecer uma lista de recomendações que representasse condições clínicas as quais o exame de 18F-FDG PET/CT pudesse agregar valores reais aos pacientes com redução de custos, ficou estabelecido que as classes IA e IB apresentam uma base sólida para a utilização da 18F-FDG PET/CT na prática médica.

As recomendações e orientações práticas de organizações profissionais quanto ao uso da 18F-FDG PET e 18F-FDG PET/CT em oncologia são resumidas nas páginas a seguir. Vale salientar que outras situações clínicas poderão ser adicionadas a estas recomendações mediante evidências clínicas sólidas.

RECOMENDAÇÕES CLÍNICAS

1 – Cânceres do sistema respiratório

1.1 – Câncer do pulmão não pequenas células (CPNPC)

O câncer de pulmão apresenta a maior incidência mundial. Segundo a última estimativa, foram registrados 1.438.916 óbitos no ano de 2008, sendo 52% em países desenvolvidos(1). O número de casos novos de câncer de pulmão estimados para o Brasil, no ano de 2008, foi de 27.270 casos. Esses valores correspondem a um risco estimado de 19 casos novos a cada 100 mil homens e de 10 para cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de pulmão é o terceiro mais frequente no Brasil. O CPNPC é, provavelmente, a patologia em que a 18F-FDG PET é mais utilizada(2,3):

• Avaliação de nódulo pulmonar solitário com dimensões iguais ou maiores que 1,0 cm (Classe IA) – Deve-se considerar que existem algumas situações (doenças inflamatórias/infecciosas, doenças granulomatosas) em que podem ocorrer falso-positivos. No entanto, o valor preditivo negativo é superior a 90%.

• Estadiamento nodal do CPNPC (Classe IA) – A abordagem cirúrgica com intenção curativa se limita essencialmente a pacientes com estádios I a IIIA, sendo crucial a avaliação linfonodal. Com sensibilidade e especificidade elevadas (em torno de 90%), a 18F-FDG PET é atualmente o método de imagem mais acurado para o estadiamento linfonodal e extranodal no CPNPC.

• No reestadiamento do CPNPC (Classe IA) – Considerando-se as limitações dos métodos de imagem estrutural, a 18F-FDG PET pode diferenciar recidiva local de fibrose em pacientes após a cirurgia, com sensibilidade e especificidade elevadas (em torno de 90%).

• No planejamento radioterápico de CPNPC (Classe IB) – A 18F-FDG PET/CT é preferível à TC isolada para definição dos campos radioterápicos na presença de atelectasia pulmonar pós-estenótica.

1.2 – Mesotelioma

O mesotelioma maligno é um tumor que provém das células mesoteliais multipotenciais da pleura ou peritônio. É a principal neoplasia maligna primária da pleura. Apresenta alto grau de malignidade, caracterizado por invasão local de partes moles como parede torácica, parênquima pulmonar, pericárdio e linfonodos regionais, e possíveis metástases para pulmões, fígado, pâncreas, rins, suprarrenais e medula óssea, reduzindo significativamente a sobrevida média dos pacientes (em torno de 12 meses), a despeito do tipo de tratamento instituído. Os mesoteliomas têm elevada afinidade pela 18F-FDG. Por isso, estudos com 18F-FDG PET são indicados para(4-6):

• Diagnóstico diferencial entre lesões benignas e malignas (Classe IIA).

• Estadiamento (Classe IB).

• Avaliação de resposta terapêutica (Classe IIA).

2 – Tumores de cabeça e pescoço

No mundo, estimou-se que em 2008 os cânceres de cabeça e pescoço foram responsáveis por 370.739 óbitos. Nos Estados Unidos, a incidência estimada é de 35.720, representando 2,4% de novos casos de neoplasia. No Brasil, o câncer de cavidade oral será responsável por 10.380 novos casos em 2009. As aplicações da 18F-FDG PET/CT no câncer de cabeça e pescoço incluem(7-9):

• Estadiamento, principalmente para a definição de conduta cirúrgica com abordagem unilateral ou bilateral (Classe IA).

• Detecção de doença residual ou recorrente (Classe IA).

• Detecção de tumor primário de origem desconhecida em pacientes com doença metastática (Classe IA).

3 – Cânceres do sistema digestivo

3.1 – Câncer de esôfago

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou, para 2008, 562.440 mortes decorrentes de câncer de esôfago. Nos Estados Unidos, estimou-se que o câncer de esôfago foi responsável por 14.530 mortes em 2008. No Brasil, de acordo com o último levantamento realizado pelo INCA, estimam-se 10.550 novos casos de câncer de esôfago em 2009. Em 2005, houve 6.457 óbitos relacionados ao câncer de esôfago no Brasil. A 18F-FDG PET tem-se mostrado eficiente nas seguintes situações(6,10):

• Estadiamento inicial nos casos em que não houver evidência de metástases à CT (Classe IB).

• Acompanhamento pós-tratamento quimiorradioterápico (Classe IIA).

3.2 – Carcinoma colorretal

No que concerne à incidência, o câncer de cólon e reto é a terceira causa mais comum de câncer no mundo, sendo responsável por 694.847 mortes em 2008. O número de casos novos de câncer de cólon e reto estimado para o Brasil em 2008 é de 12.490 casos em homens e de 14.500 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 13 casos novos a cada 100 mil homens e de 15 para cada 100 mil mulheres. Uma das primeiras indicações da 18F-FDG PET foi a avaliação de recidiva local em câncer colorretal na década de 80. Com excelentes sensibilidade e especificidade (acima de 90%), a 18F-FDG PET é fundamental na detecção de metástases linfonodais, acometimento peritoneal, metástases hepáticas e pulmonares. Assim, as aplicações da 18F-FDG PET no câncer colorretal incluem(6,11,12):

• Estadiamento inicial (Classe III).

• Antígeno carcinoembrionário (CEA) elevado, sem evidência de lesões por métodos de imagem convencionais (Classe IA).

• Avaliação de ressecabilidade de metástases (Classe IA).

• Na detecção de recidivas diante de achados radiológicos inconclusivos, mesmo sem CEA aumentado em tumores não secretores (Classe IA).

3.3 – Tumor estromal gastrintestinal (GIST)

Os tumores mesenquimais são as neoplasias mais comumente encontradas na submucosa intestinal e compreendem 1% dos tumores do trato gastrintestinal. Apresentam comportamento imprevisível, sendo a maioria assintomática, com descoberta acidental durante exame endoscópico ou radiológico. Geralmente ocorrem com igual frequência entre homens e mulheres e em pacientes com idade acima de 50 anos. Em cerca de dois terços dos casos originam-se no estômago. No intestino delgado, sua frequência é em torno de 25%, sendo que um terço está presente no duodeno. Envolvimento de cólon e reto ocorre em aproximadamente 10%. Os GISTs também concentram intensamente a 18F-FDG. As principais indicações da 18F-FDG PET são(13-15):

• Estadiamento (Classe IIA).

• Reestadiamento (Classe IB).

• Avaliação de resposta terapêutica notadamente em pacientes tratados com imatinib, nos quais a resposta metabólica avaliada pela 18F-FDG PET pode antecipar em semanas a resposta dada por métodos anatômicos (Classe IA).

4 – Câncer de mama

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres. A cada ano, 22% dos casos novos de câncer em mulheres são de mama. Estimou-se, em 2008, a ocorrência de 559.081 óbitos relacionados ao câncer de mama no mundo. De acordo com o National Cancer Institute (NCI), 194.280 novos casos serão diagnosticados nos Estados Unidos. O número de casos novos de câncer de mama esperados para o Brasil, no ano de 2008, foi de 49.400, com um risco estimado de 51 casos a cada 100 mil mulheres. As aplicações da 18F-FDG PET no câncer de mama, considerando-se o carcinoma ductal, incluem(6,16-18):

• Detecção de câncer de mama metastático ou recorrente para pacientes com suspeita clínica de metástases ou recidiva (Classe IA).

• Reestadiamento em pacientes com recidiva locorregional ou metástase (Classe IA).

• Avaliação de resposta ao tratamento em paciente com doença localmente avançada ou câncer metastático (Classe IA).

• Acompanhamento pós-tratamento (Classe III).

5 – Melanoma

O melanoma é menos frequente do que os outros tumores de pele (basocelulares e de células escamosas), no entanto, sua letalidade é mais elevada. A OMS estima que, anualmente, ocorram cerca de 132 mil casos novos desse câncer no mundo, e que são estimados 72.901 óbitos relacionados. Nos Estados Unidos, estimam-se 68.720 novos casos para 2009, enquanto, no Brasil, são estimados 5.920 casos novos para o mesmo período. As aplicações da PET em melanoma incluem(6,19,20):

• Estadiamento de pacientes de alto risco (Breslow > 1,5 mm) (Classe IA).

• Reestadiamento de pacientes com melanoma de alto risco ou candidatos a metastectomia, exceto para lesões muito pequenas (< 3 mm de diâmetro) e lesões no sistema nervoso central (Classe IA). 6 – Cânceres dos órgãos genitais 6.1 – Câncer de ovário Para 2008, estimam-se 155.326 óbitos decorrentes de câncer de ovário no mundo. Nos Estados Unidos, 21.550 novos casos são esperados para o ano de 2009. Aproximadamente 90% dos cânceres do ovário são epiteliais e se originam de células na superfície do ovário. Os 10% restantes são de células germinativas e tumores estromais. A sobrevida em cinco anos é de 92% para doença localizada, porém 30% dos casos com metástases a distância. Aplicações clínicas(21): • Reestadiamento após tratamento de primeira linha (Classe IA). • CA125 aumentado, sem identificação de lesões por métodos de imagem convencionais (Classe IB). 6.2 – Câncer de colo uterino Com aproximadamente 500 mil casos novos/ano no mundo, o câncer do colo do útero é o segundo mais comum entre as mulheres, sendo responsável pelo óbito de 286.451 mulheres/ano. Sua incidência é cerca de duas vezes maior em países menos desenvolvidos, quando comparada à dos desenvolvidos. O número de casos novos de câncer do colo do útero estimados no Brasil, em 2008, foi de 18.680, com risco estimado de 19 casos a cada 100 mil mulheres. Aproximadamente 43% dos novos casos diagnosticados se apresentam com doença localmente avançada (III e IVA), sendo candidatas a tratamento sistêmico. O estadiamento clínico inicial do câncer do colo do útero é notoriamente impreciso. Neste contexto, a 18F-FDG PET tem demonstrado grande utilidade em pacientes com doença localmente avançada, principalmente pela caracterização de linfonodos retroperitoneais aparentemente normais à CT ou à ressonância magnética (RM). Na avaliação da resposta terapêutica em pacientes submetidos a radio e quimioterapia, a 18F-FDG PET tem maior acurácia do que os métodos de imagem anatômicos e uma resposta metabólica completa tem alto valor prognóstico. Outra contribuição do estudo de 18F-FDG PET é no reestadiamento de pacientes com suspeita de recidiva(21). As aplicações clínicas da 18F-FDG PET/CT no câncer de colo uterino são: • Estadiamento inicial de doença localmente avançada (Classe IB). • Reestadiamento e avaliação da resposta terapêutica (Classe IIB). • Na suspeita de recidiva (Classe IIA). • No planejamento radioterápico (Classe IIA). 6.3 – Câncer testicular Indicação da 18F-FDG PET na avaliação dos seminomas(22,23): • Reestadiamento, na avaliação de massas residuais, após orquiectomia e quimioterapia (Classe IA). 7 – Câncer de tireoide Os carcinomas diferenciados de tireoide apresentam concentração aumentada de 18F-FDG. Vários estudos relataram elevadas sensibilidade e especificidade (75-85% e 90%, respectivamente) para detecção de metástases em pacientes com carcinoma bem diferenciado da tireoide com pesquisa de corpo inteiro (PCI) com iodo-131 negativa (131I-PCI) ou duvidosa e tireoglobulina (Tg) aumentada (> 10 ng/ml). Nesses casos, a 18F-FDG PET está indicada como método diagnóstico desde que a curva de Tg seja ascendente e ultrassonografia (US) cervical e CT de tórax estejam também negativas(12,24). Dados recentes indicam a utilidade da 18F-FDG PET na avaliação da extensão da doença mesmo em pacientes com PCI positiva. Portanto, a 18F-FDG PET também pode ser indicada em pacientes com PCI positiva, quando a demonstração de lesões adicionais pela 18F-FDG PET pode determinar mudanças significativas na conduta clínica. As aplicações podem ser resumidas em:

• Carcinoma papilífero se a Tg > 10 ng/ml ou Tg estimulada > 5 ng/ml e 131I-PCI negativa (Classe IA).

• Carcinoma folicular se a Tg > 10 ng/ml ou Tg estimulada > 5 ng/ml e 131I-PCI negativa (Classe IA).

• Carcinoma de células de Hurthle se a Tg > 10 ng/ml ou Tg estimulada > 5 ng/ml e 131I-PCI negativa (Classe IA).

• Carcinoma medular, reestadiamento em pacientes com aumento progressivo dos níveis de calcitonina e com investigarão por métodos de imagem negativos ou inconclusivos (Classe IB)(17).

• Carcinoma anaplástico (Classe III).

8 – Tumores do sistema nervoso central

A 18F-FDG PET apresenta bons resultados na avaliação de recidivas de tumores primários do sistema nervoso central (SNC) de alto grau. Na avaliação de recidiva de gliomas, as imagens estruturais (CT e RM) apresentam dificuldade na diferenciação entre células tumorais viáveis, edema e fibrose, enquanto a 18F-FDG PET demonstra aumento importante da concentração de 18F-FDG no tumor recidivado de alto grau. Portanto, a 18F-FDG PET foi classificada como Classe IIA para a detecção de recorrência em gliomas de alto grau(25,26). Em gliomas de baixo grau, nos quais a concentração de 18F-FDG é apenas moderadamente aumentada, o estudo com 18F-FDG não está indicado. As aplicações clínicas nos tumores do SNC incluem:

• Reestadiamento de glioblastoma multiforme / astrocitoma anaplástico / oligodendroglioma anaplástico (Classe IA).

• Pacientes com lesão(ões) suspeita(s) no SNC, indefinida(s) pelos métodos de imagem convencionais (Classe IIA).

9 – Linfoma

Linfoma é a quinta neoplasia mais frequente nos Estados Unidos e reune um grupo heterogêneo de neoplasias linfocitárias, dividindo-se basicamente em duas categorias: linfoma de Hodgkin (LH) e linfoma não Hodgkin (LNH). Estima-se que 74.490 casos foram diagnosticados em 2009, sendo esta patologia responsável por 359.993 óbitos em 2008. Com exceção dos LNHs de baixo grau, os LNHs e LHs apresentam alta concentração de 18F-FDG. No estadiamento, a 18F-FDG PET apresenta maiores sensibilidade e especificidade na detecção de acometimento nodal e extranodal. No reestadiamento, principalmente na avaliação de massas residuais, a 18F-FDG PET apresenta excelente acurácia na caracterização não invasiva dos linfomas(27,28), e no Brasil, especialmente, apresenta-se altamente custo-efetiva(29). Assim, as recomendações clínicas do uso da 18F-FDG PET em linfoma são:

• Estadiamento inicial (Classe IA).

• Reestadiamento após tratamento de primeira linha (Classe IA).

• Avaliação de resposta precoce à quimioterapia (Classe IIA).

• Seguimento (Classe III).

10 – Identificação de tumor primário oculto

Detecção de neoplasia primária desconhecida é um desafio para os médicos oncologistas e imaginologistas. Em muitos casos, os pacientes se apresentam com doença metastática evidente. O diagnóstico da neoplasia primária é importante, pois irá definir o tipo de tratamento. Há vários relatos sobre o uso da 18F-FDG PET nesta condição clínica(30,31):

• Identificação de tumor primário oculto (Classe IIA).

Fonte: http://www.radiology.com.br

Descobertas sobre a epilepsia




A difusão do uso da Ressonância Magnética, particularmente dos estudos funcionais, permitiram uma evolução significativa do conhecimento de alguns tipos de epilepsia, como aquelas onde é afetada a região mesial do encéfalo. Veja matéria da FAPESP divulgando pesquisa recente sobre o tema.

Agência FAPESP – Logo atrás das têmporas encontra-se o lobo temporal mesial, região do cérebro que compreende estruturas como a amígdala e o hipocampo, responsáveis por funções fundamentais humanas, como a memória e as emoções.

É a partir dessa região que são disparados sinais elétricos anormais que vão provocar a mais comum das manifestações epilépticas em adultos, a epilepsia do lobo temporal mesial.

“Essa também é considerada uma das formas mais graves de epilepsia, porque uma proporção significativa dos pacientes não apresenta resposta aos tratamentos mesmo que sigam criteriosamente as recomendações médicas”, disse Iscia Lopes Cendes, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp), à Agência FAPESP.

A professora titular do Departamento de Genética Médica coordenou um Projeto Temático apoiado pela FAPESP que estudou por cinco anos a epilepsia do lobo temporal mesial e lidera atualmente uma pesquisa sobre o mesmo assunto, que conta com o apoio da Fundação por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

Ambos os projetos estão inseridos no programa Cooperação Interinstitucional de Apoio a Pesquisas sobre o Cérebro (CInAPCe) da FAPESP e produziram importantes avanços do conhecimento sobre esse tipo de problema relacionado a uma lesão nas estruturas mesiais.

Chamada de esclerose mesial temporal, a lesão começou a ser identificada em vida somente após o advento de técnicas modernas de imageamento médico, como a propiciada pela ressonância magnética nuclear. Antes, só poderiam ser detectadas e examinadas com o corte do cérebro por meio de autópsia ou após uma cirurgia.

Na hipótese levantada pelos cientistas, esses neurônios lesados seriam os causadores dos disparos elétricos irregulares que provocam a epilepsia e também a razão para a resistência aos medicamentos, uma vez que o tecido lesado seria incapaz de absorvê-los adequadamente.

Como essas lesões são formadas – se elas são genéticas ou adquiridas e se podem se agravar por causa das crises – é uma das perguntas que a pesquisa procurou responder. Uma das ferramentas utilizadas nesse sentido foi o acompanhamento prospectivo de pacientes, constantemente monitorados para que o especialista pudesse identificar o surgimento e o aumento da esclerose mesial temporal.

Esse acompanhamento auxiliou em uma das alternativas de tratamento: a cirurgia de remoção de parte de um dos lobos temporais. Em geral, a retirada da parte lesionada resulta em uma redução das crises, o que permite também a diminuição da medicação empregada. No entanto, esses efeitos positivos não se manifestam para todos e variam de intensidade de um paciente a outro.

Para investigar o motivo dessas diferenças, um subprojeto do Temático, coordenado por Fernando Cendes, professor titular no Departamento de Neurologia da FCM-Unicamp, aprimorou exames pré-operatórios a fim de avaliar como seria a resposta de um paciente à cirurgia antes de se submeter a ela.

Com esse avanço, pessoas que não teriam uma resposta eficaz a esse tipo de tratamento são poupadas da cirurgia enquanto que indivíduos que obtêm diagnósticos de boa resposta podem ser operados antes, atenuando e até poupando anos de crises epilépticas.

Essa parte do trabalho exigiu o emprego de técnicas computacionais para a análise de imagens médicas. Softwares específicos foram desenvolvidos para auxiliar na detecção de anomalias que até então tinham de ser descobertas com análise visual humana.

“Há anomalias que são detectadas pela assimetria entre os volumes de estruturas de um lado e de outro do cérebro, só que o olho humano não é muito bom para detectar assimetrias”, explicou Iscia, ressaltando que a visão computacional consegue avaliar com precisão essas medidas.

O desenvolvimento dos programas computacionais ficou por conta de dois professores da Unicamp, Alexandre Xavier Falcão, do Instituto de Computação, e Roberto de Alencar Lotufo, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação.

Além de softwares de avaliação de volumes específicos para determinadas estruturas cerebrais, também foram desenvolvidos programas avaliadores de texturas de tecidos, uma vez que, além de variações volumétricas, as alterações em tecidos também podem ser indicadores de lesões no cérebro.

“Ao comparar esses programas com o diagnóstico humano na análise de imagens de ressonância magnética, percebemos que eles apresentaram um grande número de acertos”, disse Iscia. Um dos desdobramentos desses trabalhos foi a tese de doutorado de Felipe Bergo, orientado por Falcão, que ficou em primeiro lugar no Concurso de Teses e Dissertações da Sociedade Brasileira de Computação (SBC).

O desenvolvimento de novas funcionalidades em um software de análise de imagens médicas, feito pela neurologista Clarissa Yasuda durante o seu doutorado, rendeu a ela dois prêmios nacionais e três internacionais.

Em abril, Clarissa foi contemplada com o International Scholarship Award, concedido a jovens pesquisadores pelo Congresso Americano de Neurologia, por seu estudo comparativo da eficácia no longo prazo entre os tratamentos clínico e cirúrgico da doença.

O mesmo prêmio foi concedido aos mestrandos Renato Oliveira dos Santos, que investigou o possível papel dos polimorfismos do gene interleucina 1-beta na predisposição à epilepsia, e Marina Coelho Gonsales, que estudou a aplicação clínica do teste de mutações no gene SCN1A em crianças com a doença.

Os trabalhos ficaram entre os 13 destacados pelo evento entre mais de 4 mil inscritos e os três autores tiveram Bolsas da FAPESP. Clarissa dispõe atualmente de uma Bolsa de Pós-Doutorado para desenvolver softwares de planejamento cirúrgico.

Ajuda da física

Outra importante conquista do Projeto Temático foi o domínio de uma difícil técnica de diagnóstico, a ressonância magnética funcional (IRMf) com corregistro por eletroencefalograma (EEG), que reúne dados sobre os sinais elétricos do cérebro e os relaciona com a sua atividade metabólica.

Esse tipo de exame é importante por identificar as áreas em que são emitidos sinais elétricos do cérebro, por meio de um eletroencefalograma, e relacioná-las com os locais em que ocorrem as principais atividades metabólicas cerebrais, que são registradas por ressonância magnética de alto campo.

“Unir essas duas ferramentas é um grande desafio. É uma tarefa extremamente difícil e que envolve física pura”, disse Iscia. Para realizar essa tarefa foi convidado o professor Roberto Covolan, do Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp.

Covolan passou um ano em instituições como o Massachussets General Hospital (MGH) e a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, para desenvolver uma nova técnica. O resultado colocou o Brasil entre o seleto grupo de países que dominam a ressonância magnética funcional com corregistro por eletroencefalograma.

O sucesso também dependeu da aquisição do aparelho de ressonância magnética de alto campo de 3 Tesla, ou aproximadamente 60 mil vezes a intensidade do campo magnético terrestre. O equipamento foi um dos três da mesma categoria adquiridos com recursos da FAPESP por meio do programa CInAPCe

Além do aparelho da Unicamp, a Universidade de São Paulo recebeu duas unidades: uma para o Hospital das Clínicas, na capital paulista, e outra para a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

A disponibilidade do equipamento para a pesquisa permitiu uma descoberta importante para a neurologia. Os pesquisadores decidiram examinar também parentes de pacientes que nunca haviam apresentado crises de epilepsia. Para a surpresa do grupo, foram encontradas lesões mesiais temporais em alguns irmãos saudáveis de pacientes.

Isso indicou que, nessas famílias, as lesões apareceram antes da epilepsia podendo ser inatas. “Isso derrubou um paradigma da neurologia, pois acreditava-se que as lesões temporais mesiais eram adquiridas, provocadas, por exemplo, por crises febris durante a infância”, disse Iscia Cendes.

A descoberta gerou a criação de um novo subgrupo para a enfermidade – o da epilepsia mesial temporal familiar – e ainda quebrou outro paradigma, o qual versava que as lesões estavam incondicionalmente relacionadas às crises, o que foi desmentido ao encontrar indivíduos com a região lesionada e sem histórico de crises.

A partir daí foi realizado um estudo de genética molecular nessas famílias, a fim de se buscar os genes responsáveis pela predisposição a essa lesão cerebral. Após examinar mais de 300 marcadores polimórficos comparando indivíduos com e sem a lesão, os pesquisadores identificaram uma região com cerca de 8 milhões de pares de bases no braço curto do cromossomo 18.

Esse foi o trabalho de doutorado de Claudia Maurer Morelli, que rendeu a ela o Young Investigator Award, concedido pela Sociedade Norte-Americana de Epilepsia, e o International Scholarship Award, outorgado pela Academia Norte-Americana de Neurologia (AAN), ambos em 2007. Cláudia teve Bolsa da FAPESP durante o doutorado e atualmente é docente do Departamento de Genética Médica da FCM-Unicamp.

A região foi completamente sequenciada e atualmente os pesquisadores procuram a chamada variante funcional, a qual está presente nos indivíduos afetados e ausente nos indivíduos controle.

“Estamos na expectativa de encontrar essa variante, que indicará o gene responsável pela lesão e, com ele, saberemos muito mais sobre a biologia dessa lesão”, disse Iscia.

Para a professora da Unicamp, pesquisas com o DNA de famílias de pacientes poderão revelar a frequência com que essa lesão ocorre, que pode ser maior do que a estimada.

Fonte: http://www.agencia.fapesp.br

Radioterapia guiada por imagem



A Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT), possibilita a localização exata dos tumores.


Utilizada em diversos casos de câncer, a radioterapia passou a ser aplicada depois da descoberta do raio X, no final do século XIX. O primeiro tipo de radioterapia, chamado convencional, utilizava radiografias para estimar a área do tumor. Depois começou a se utilizar a radiografia tridimensional, que permitia planejar as irradiações a partir de tomografia e ressonância magnética. Daí em diante surgiram as técnicas de liberação de doses de radiação, como o IMRT, que permitem tratamento mais preciso.
Dose precisa

A grande vantagem do IGRT é proporcionar ao paciente a dose precisa da radiação no tumor sem atingir as células saudáveis dos órgãos ao redor

“Ao enviar radiação para áreas além do tumor encontramos dois problemas: não se trata a doença e se atinge áreas saudáveis, o que pode trazer consequências graves em órgãos que não resistem bem à radiação, como o rim e o pulmão”, explica dr. Robson Ferrigno, radioterapeuta do HIAE.

Com a Radioterapia Guiada por Imagem é possível diminuir a extensão da radiação liberada para concentrá-la mais na área do tumor e, dessa forma, aumentar as doses possibilitando melhor controle da doença.

Essa recente evolução da radioterapia é uma técnica que permite melhor posicionamento do paciente para que os médicos possam atingir o tumor com alta precisão, acompanhando inclusive os movimentos da respiração. A técnica é aplicada junto a outras, como a de liberação de doses, chamada IMRT ou radioterapia com intensidade modulada de feixe, que permite a irradiação em maior ou menor quantidade.

O IGRT possibilita maior dose de radiação por dia, justamente por oferecer menos efeitos colaterais que os demais tratamentos. O método adotado atualmente pelo setor de radioterapia do HIAE consiste em 6 a 8 aplicações em dias alternados. “Estamos adotando esse esquema para casos de tumor no pulmão e no fígado”, afirma o dr. Ferrigno.

Há casos em que se pode utilizar dose única de radiação por meio do IGRT, desde que o tumor esteja em localização segura, longe de órgãos sensíveis, como a medula óssea. E há outros casos em que é necessário utilizar a radiação guiada por imagem em diversas aplicações. “Tudo depende da avaliação clínica, que leva em consideração a localização do tumor e as condições do paciente”, ressalta o radioterapeuta.
Principais indicações

Os principais tipos de tumor tratados com a radioterapia guiada por imagem são os de pulmão, fígado, coluna, intra-abdominais, intrapélvicos e próstata. Deve-se considerar, antes da indicação do IGRT o tamanho do tumor, sua localização, características e se é benigno ou maligno.

O tratamento é totalmente indolor e em 90% dos casos não apresenta efeitos colaterais. Nos demais casos, náuseas e febre sentidas no dia da aplicação são sintomas que podem facilmente ser controlados com medicamentos.
Física a serviço da medicina

Para chegar à tecnologia guiada por imagem foi utilizado o princípio da física que estabelece o alvo a partir do cruzamento de duas coordenadas. No caso da física médica aplicada no IGRT, as coordenadas são estabelecidas pelos raios infravermelhos e o alvo é o tumor.

Com o paciente deitado, são coladas pequenas bolinhas – menores que as de gude – em seu abdome. Chamadas de body markers (literalmente marcadores corporais), elas refletem raios infravermelhos. Com o reflexo dos raios é possível visualizar as bolinhas em um monitor. A partir daí, tem-se a reconstrução digital do interior do corpo do paciente e é possível ver localização e forma exatas do tumor.

“Os body markers se movimentam conforme a respiração do paciente. Essa movimentação é refletida pelos raios infravermelhos, o que garante maior precisão na hora de liberar a radiação e que essa seja certeira no tumor”, explica José Carlos da Cruz, físico e coordenador da Física Médica do HIAE.

Antes da irradiação são feitos dois raios X em tempo real. Essas imagens são sobrepostas e comparadas com uma tomografia que o paciente realiza antes de iniciar o tratamento. Então o ponto exato do tumor é visto no monitor. Com essa tecnologia, a margem de erro é menor que três milímetros.

Fonte: http://www.einstein.br

Tomografia verde


Nova linha de equipamentos para diagnostico em arvores aumenta competências de laboratórios do IPT

Três equipamentos recém-chegados ao Centro de Tecnologia de Recursos Florestais do IPT prometem trazer informações mais precisas no diagnóstico de árvores quanto à sua condição biológica e ao risco de queda.

O tomógrafo por impulso, o tomógrafo por impedância elétrica e o pulling test (vulgarmente conhecido como “puxômetro”) foram adquiridos dentro do projeto de modernização do Instituto e seguem as atuais tendências de execução de ensaios não-destrutivos em árvores.

Os dois tomógrafos têm como função a detecção de deteriorações e cavidades em árvores, mas operam de maneiras distintas. O modelo por impulso executa a medição do “tempo de vôo” do sinal gerado por um martelo eletrônico, que é transmitido/recebido por sensores instalados ao redor da circunferência do tronco e varia de acordo com o módulo de elasticidade (MOE) e a densidade da própria madeira. Os dados coletados são inseridos em um software para o cálculo das velocidades sônicas aparentes e o desenho do mapa da árvore, com imagens em 3D para o diagnóstico de deteriorações e outros defeitos internos.

“Quanto mais alta a velocidade da onda sônica que percorrer o lenho, ou seja, o tempo de propagação entre dois pontos da árvore, maior será a resistência da madeira”, explica Takashi Yojo, pesquisador do Laboratório de Madeira e Produtos Derivados do IPT. “Em outras palavras, a velocidade será alta se a madeira estiver em boas condições, e baixa caso haja um apodrecimento, rachadura ou fissura na árvore”.




Martelo eletrônico fornece informações sobre a densidade da madeira nos ensaios com o tomógrafo por impulso

O segundo tomógrafo, por impedância elétrica, irá permitir a obtenção de informações sobre as propriedades químicas da madeira, como teor de umidade, estrutura das células e concentração iônica. O modelo faz uso da corrente elétrica para verificar alterações provocadas pela deterioração em tais características, e traz como resultado um mapa bi e tridimensional sobre o atual estado de resistência da árvore. “Quando o lenho está seco, a corrente demora a passar porque a resistência elétrica está elevada, enquanto na madeira verde a energia circula com facilidade”, exemplifica o pesquisador.

Para a execução dos ensaios, os dois modelos podem contar com o auxílio de um compasso de calibre, ferramenta que determina as posições dos pontos de medição e é particularmente útil em árvores de grandes dimensões ou de estruturas irregulares.

MAIOR PRECISÃO – Os resultados combinados dos dois tomógrafos irão oferecer informações mais precisas sobre os tipos e as localizações dos problemas nas árvores. Segundo a pesquisadora Raquel Amaral, do Laboratório de Preservação de Madeiras e Biodeterioração de Materiais do IPT, o principal equipamento disponível atualmente para o diagnóstico das árvores no Instituto é o penetrômetro, que permite avaliar a perda de resistência mecânica do lenho e a presença de organismos no interior da árvore. “Não se trata de um equipamento destrutivo, mas invasivo; ele possui uma broca com diâmetro de 0,9 mm que penetra na árvore e fornece respostas somente na linha de passagem da ferramenta”, explica ela.

Mais completos e precisos, os novos ensaios com os tomógrafos permitirão um rastreamento da seção transversal e também em 3D, além de irem ao encontro das atuais tendências em ensaios não-destrutivos. “Observamos hoje que o rompimento na maioria das árvores ocorre na região do colo, na transição entre raiz e tronco, e o penetrômetro consegue detectar grande parte dos problemas”, afirma Raquel. “Em caso de dúvida, os dois tomógrafos farão a análise no colo e nas camadas acima ou abaixo dessa linha, ou seja, vamos alcançar uma maior rastreabilidade e uma segurança maior nas análises, sem causar danos à árvore”.

CÁLCULO ESTRUTURAL – Terceiro equipamento adquirido, o pulling test é usado para obter informações sobre a estabilidade no tronco e nas raízes. Para a execução do ensaio, uma carga será exercida na espécie a ser analisada com uma manivela e um cabo de aço; a reação da árvore submetida ao stress sob esta carga será medida por inclinômetro e elastômetro, que avaliarão a carga de ruptura e as propriedades mecânicas do lenho.

Fonte:
http://www.ipt.br

Marie Curie, a pioneira brilhante da Radiologia



Ela nasceu Maria Sklodowska, na Polônia dominada pela Rússia do fim do século 19. Em 1881, quando tinha 14 anos, mudou de nome e de país. Em Paris, tornou-se Marie e, alguns anos depois, adotou o sobrenome do marido, Pierre Curie, um dos diretores da renomada Universidade Sourbone. Num tempo em que as oportunidades para as mulheres não iam muito além das cozinhas de casa, recusou o destino de tantas outras.

De família humilde, tornou-se uma das poucas mulheres a frequentar a Sourbone na época graças a uma bolsa de estudos que recebeu em reconhecimento aos seus esforços acadêmicos. Formou-se em matemática e química, fez dois mestrados, um doutorado e recebeu um Prêmio Nobel de Física e outro de Química. Cem anos depois de ela se tornar a primeira mulher a receber individualmente a láurea, a Europa declarou 2011 o Ano Marie Curie na Ciência, programando uma série de homenagens à descobridora da radioatividade e dos elementos rádio e polônio.

Dezoito anos antes de ser agraciada com o prêmio mais importante do meio científico, Marie foi selecionada pela Sociedade de Incentivo à Indústria Nacional da França para desenvolver um estudo sobre as propriedades magnéticas do aço. Era 1893 e, como precisava de um laboratório para realizar seus experimentos, foi encaminhada a Pierre Curie, chefe do laboratório da Escola Municipal de Física e Química em Paris, com quem fundou uma das parcerias mais importantes da ciência mundial.

Na época, uma verdadeira revolução transformava a ciência, que colhia os frutos de uma sociedade voltada para o experimentalismo. Os raios X haviam sido descobertos recentemente, e a química e a física estavam em franca expansão. Nesse contexto, Marie encontrou o terreno perfeito para se dedicar ao estudo de novos materiais, que se tornariam um dos pilares da ciência moderna.

Casou-se com Pierre em 1895 e, com ele — já professor de física da Univesidade de Paris —, Marie direcionou seus estudos para uma área ainda desconhecida, os raios de urânio. Os estudos resultaram na descoberta da radiotividade, que mudou a maneira como a ciência encara os compostos químicos e deu ao casal o Prêmio Nobel de Física de 1903, dividido com Antoine Henri Becquerel.

Graças à descoberta de Marie e Pierre, hoje vários tratamentos contra o câncer são possíveis, usinas produzem eletricidade para períodos de estiagem e naves conseguem visitar o espaço. “Seu trabalho não só influenciou o desenvolvimento da ciência fundamental, mas também marcou o início de uma nova era na investigação médica e de tratamentos médicos”, afirma o pesquisador Roberto Vicente, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). “Para se ter uma idéia da importância da descoberta, foi ela que possibilitou Rutherford criar o modelo atômico da estrutura do átomo, com um núcleo com carga positiva concentrando toda a massa rodeado por uma nuvem de elétrons. Isso é o que se aprende no ensino médio até hoje”, exemplifica Vicente.

Elementos
Com a morte do marido, em 1906, Marie se viu sozinha para manter a família e seguir com a carreira de cientista. Mesmo enfrentando o ambiente machista do mundo científico, conseguiu assumir a vaga de professora da Universidade de Paris deixada por Pierre e continuou os estudos sobre novos compostos químicos. Dessa forma, descobriu dois novos elementos: o polônio, batizado dessa forma em homenagem ao país onde nasceu, e o rádio, que conseguiu isolar e estudar mais profundamente.

A pesquisadora decidiu não patentear o rádio para que toda a comunidade científica pudesse pesquisá-lo livremente. As duas descobertas lhe renderam, em 1911, um segundo Nobel, desta vez de Química, tornando-a a primeira mulher a receber a honraria sozinha, além de o único cientista até hoje a conquistar duas vezes a premiação. O Nobel veio no mesmo ano em que a Academia Francesa de Ciência recusou-se a aceitá-la como membro.

Agulhas, tubos e placas de rádio passaram a ser utilizados em terapias médicas. O elemento também serviu de matéria prima para uma vasta gama de equipamentos que vão desde para-raios a detetores de fumaça. Até hoje, o estudo de fósseis utiliza o rádio como elemento para datação e classificação. Já o polônio foi o combustível que permitiu às espaçonaves Apollo, produzidas pela Nasa décadas depois, levarem o homem à Lua e possibilitou o aprimoramento das fitas K7 e dos filmes fotográficos.

Ironicamente, foram os estudos que levaram Marie à morte. Em 1934, ela sucumbiu à leucemia provocada pela constante exposição à radioatividade. Antes de morrer, a pesquisadora deixou uma sucessora: sua filha mais velha. Irène Curie continuou o trabalho da mãe, pelo qual recebeu Nobel de Química em 1935, ao comprovar a existência dos nêutrons.

Mais do que uma pesquisadora brilhante, Marie Curie entrou para a história como uma pioneira e desbravadora da ciência moderna. Para Giovana Pasqualini, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, o pioneirismo de Marie representou um dos passos mais importantes para a abertura da ciência às mulheres. “Histórias como a dela incentivaram uma geração de mulheres que, aos poucos, foram cavando um espaço maior em várias áreas, inclusive na academia”, opina. “Se hoje o Brasil caminha para ter mais mulheres que homens na pesquisa, é porque no passado mulheres como ela abriram o caminho”, completa, referindo-se ao censo do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica (CNPq), que constatou que no país 49% dos cientistas são mulheres. “De forma discreta e perseverante, ela se tornou uma heroína sem par e é um exemplo para mulheres e homens, da ciência ou não. Seu trabalho revolucionário, num ambiente tão hostil às mulheres, numa sociedade tão preconceituosa como a daquela época, ganha, por causa disso, uma dimensão ainda maior”, completa o pesquisador Roberto Vicente.

Fonte: http://www.conter.gov.br

Mercado de trabalho em alta na área de Radiologia Industrial



Com o descobrimento do pré-sal nas bacias de Santos e em toda costa Brasileira teve-se um impacto direto no mercado industrial com um grande aumento de serviços gerados pelas obras da Petrobras, dentre esses serviços gerados os ensaios não destrutivos e a fluoroscopia também tiveram um grande aumento, então quem estiver à procura de bons salários e uma carreira promissora a hora é agora de se preparar e se qualificar no segmento desejado dentro da área de radiologia Industrial.





Hoje a Petrobras é umas das maiores empresas que investem em tecnologia no Brasil, e por este motivo sua grande preocupação é a qualificação dos profissionais que atuam diretamente ou indiretamente prestando serviços a empresa, assim as empresas que prestam serviços a Petrobras somente empregam profissionais qualificados e treinados em centros de ensino credenciados, então quem desejar trabalhar na área de Radiologia Industrial deve procurar um centro de ensino credenciado, mas são poucos os centros no Brasil que fazem estes cursos e os que fazem é extremamente caro, inacessível para um estudante ou recém formado, os cursos podem chegar de R$ 2500,00 a R$ 9200,00 reais dependendo da região, e vendo esta está realidade o Instituto Brasileiro de Radiologia – IBR apresentou este ano um curso de 60h que irá abrir um leque de opções de trabalho em diferentes segmentos da Radiologia Industrial, e com uma grande vantagem o valor do curso foi analisado pensando nas pessoas que não teriam a condição de pagar este valor e com isso apresentarão a opção em parcelar em até 12x e com o preço muito abaixo dos centros de ensino do país.



Se você desejar investir em sua carreira e for para o mercado mais aquecido do país, o momento é agora invista no seu futuro e conquiste esta oportunidade, e para quem pense que esta área é exclusivamente para os homens estão enganados, alguns segmentos da Radiologia Industrial estão sendo exclusividade para as mulheres por motivos de maior atenção e precisão nas funções exercidas é esta a resposta que nos deram das empresas que contratam e os segmentos são fluoroscopia, Inspeção e monitoramento e no setor de vendas.




O Instituto Brasileiro de Radiologia – IBR tem convênios com diferentes empresas da área de Radiologia Industrial aonde os alunos aprovados no curso têm o currículo encaminhado a estas empresas, assim abrindo portas de trabalho para o aluno, este é o grande diferencial que o IBR apresenta.

Para conhecer este curso entre no site www.ibrcursos.com

Justiça obriga indústria nuclear a tratar rejeitos da extração de urânio



Temor de contaminação por milhares de toneladas de materiais radioativos em unidade de tratamento de minério em Caldas (MG) motivou ação; empresa, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, nega riscos, mas inspeção do Ibama viu problemas.

Em 1,4 mil hectares, o primeiro complexo de extração e concentração de urânio no Brasil se tornou um passivo de grandes proporções. Elefante branco do Programa Nuclear Brasileiro, a unidade de tratamento de minério (UTM) das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), na zona rural de Caldas (MG), está na mira da Justiça. Desativada há 15 anos, sua operação de descomissionamento não foi iniciada, gerando temor de contaminação.

De 1982 a 1995, a UTM de Caldas produziu 1,2 mil toneladas de concentrado de urânio, o chamado yellowcake (U3O8), que abasteceu a usina de Angra 1. Atualmente, a antiga mina a céu aberto deu lugar a um enorme lago de águas ácidas, que se formou na cava de cerca de 180 metros de profundidade e 1,2 mil metros de diâmetro.

O complexo armazena todo o parque industrial desativado, bacia de rejeitos e depósitos de armazenamento de materiais radioativos – aproximadamente 11 mil toneladas de torta 2 (concentrado de urânio e tório) e outras milhares de toneladas de mesotório -, que foram transferidos há duas décadas da Usina de Santo Amaro (SP) para a unidade.

A indefinição em relação ao acondicionamento dos rejeitos e materiais e o receio de riscos para o meio ambiente no entorno embasaram uma investida judicial contra a INB – antiga Nuclebrás, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e responsável pela cadeia produtiva do urânio no País.

Atendendo a um pedido do Ministério Público Estadual, o juiz Edson Zampar Jr., da Comarca de Caldas, concedeu em meados de outubro liminar obrigando a INB a adotar medidas de segurança para o tratamento de rejeitos nucleares resultantes da extração de urânio e o armazenamento adequado do material radioativo vindo de São Paulo.

A decisão judicial evidencia as dificuldades técnicas para a desativação e o tratamento do passivo ambiental de minas de urânio no momento em que o governo procura deslanchar o programa nuclear com a construção de Angra 3 – com previsão de entrar em operação em 2015 – e outras novas usinas no País.

O promotor José Eduardo de Souza Lima citou na ação relatórios do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) – autarquia federal responsável por fiscalizar as atividades da INB, mas que ao mesmo tempo controla a empresa.

Lima também afirma que não são conhecidos os riscos de contaminação do lençol freático e demais recursos hídricos pelos materiais lançados na bacia de rejeitos.

Contaminação. Ofícios de inspeções da autarquia federal e do Ibama feitas em 2008 relataram a existência de recipientes corroídos, entre 40 mil tambores metálicos e bombonas; falta de manutenção dos pallets que as sustentavam e material radioativo derramado no chão, além de problemas no sistema de isolamento dos galpões de armazenamento, em precárias condições.

O superintendente de Produção Mineral da INB, Adriano Maciel Tavares, garante que o material radioativo se encontra em local seguro e monitorado, não havendo risco de contaminação. “O Ibama fotografou uma serpente que estava morta no meio de uma poça e um líquido viscoso de um desses tambores que vazaram. Tinham ratos mumificados”, rebateu o promotor.

Acompanhado por dirigentes da empresa, o Estado visitou a unidade. Em meio a enormes estruturas e equipamentos desativados, há pilhas de minério de urânio expostas num pátio da unidade de beneficiamento.

Ao conceder as liminares, o juiz estipulou prazo de 90 dias para o cumprimento das determinações da CNEN e multas milionárias no caso de descumprimento. A decisão obriga a INB a analisar a radiação no solo, nos animais, nas plantas, no lençol freático e nos rios que cortam as cidades da região. E determina um laudo técnico sobre a eficiência do sistema de monitoramento ambiental e da bacia de rejeitos e proíbe a instalação, a qualquer pretexto, de um aterro sanitário na UTM de Caldas, sob pena de multa de R$ 50 milhões.

Fonte: http://www.estadao.com.br

Teste consegue achar e capturar células do câncer


Exame em teste vai ajudar médicos a saber se tratamento está funcionando

A multinacional Johnson & Johnson e médicos do Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos, fizeram uma parceria para testar e lançar no mercado um novo exame que consegue detectar uma única célula de câncer entre bilhões de outras saudáveis, o que pode ajudar no diagnóstico precoce e no tratamento da doença.

Médicos dizem que células cancerígenas “perdidas” no meio do sangue são um indicativo de que um tumor está próximo de se disseminar pelo corpo ou já está se alastrando. De acordo com eles, um exame que consiga capturar essas células tem o potencial de tornar o tratamento direcionado para vários tipos de câncer, especialmente de mama, próstata, colo do útero e pulmão.

Quatro grandes centros de pesquisa vão começar a testar o método neste ano. Inicialmente, os médicos querem usar o exame para prever que tipo de tratamento é o mais indicado para o tumor de cada pessoa e descobrir se a terapia está funcionando.

Daniel Haber, chefe do centro de tratamento de câncer do hospital e um dos inventores do teste, diz que o sistema parece “uma biópsia líquida”, que dispensa agulhas e é mais eficiente que exames feitos por imagem.

O exame usa um microchip que parece uma lâmina de laboratório coberta por 78 mil pequenos pontos, como as cerdas de uma escova de cabelo.

Esses pontos têm anticorpos que atraem as células do tumor e se ligam a elas. Quando o sangue passa pelo chip, as células são impulsionadas pelo sistema, em algo parecido como as bolas de uma máquina de pinball. Enquanto as células saudáveis são jogadas para fora, as células cancerígenas se prendem e são iluminadas pela lâmina, o que permite que os médicos as capturem para estudo.

Haber diz que a ideia é descobrir, durante o tratamento, se a droga usada está funcionando contra o tumor ou se é melhor mudar para outra, mas de um modo mais eficiente.

Fonte:

http://noticias.r7.com/saude/noticias/teste-consegue-achar-e-capturar-celulas-do-cancer-20110103

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A radiologia intervencionista garante tratamentos mais rápidos e eficazes para diversos tipos de doença





O início eram as sangrias… Na Antigüidade, há milhares de anos, os médicos utilizavam sanguessugas para tratar de seus pacientes. O tempo passou: novas técnicas, equipamentos e tecnologias foram surgindo, facilitando o trabalho desses profissionais e garantindo uma vida mais longa para todos nós.

Mesmo com tudo o que já descobrimos a ciência não pára de trabalhar para ampliar ainda mais os horizontes da Medicina. E, dentre essas maravilhosas inovações, uma das mais impressionantes e com maior variedade de aplicações possíveis é a radiologia intervencionista, especialidade médica que, através de tubos finíssimos e de aparelhos de imagens, consegue atuar no interior de nosso corpo de forma nunca antes imaginada.





Esssa especialidade diferencia-se por ser minimamente invasiva – em outras palavras, utiliza-se de cortes muito pequenos para inserir, nas veias e artérias, minúsculos catéteres, stents, molas ou agulhas para realizar procedimentos e fazer diagnósticos em diversas partes do corpo. Muitas vezes, como alternativa às cirurgias complexas, que exigem grandes cortes e anestesia mais profunda, profissional radiologista intervencionista, atua de forma menos invasiva. Os procedimentos são realizados com auxílio de um método de imagem, que pode ser o ultra-som, a tomografia computadorizada, a angiografia por subtração digital e a radioscopia, equipamento de alta resolução de imagem capaz de subtrair as imagens de osso vísceras, propiciando imagem apenas dos vasos sanguíneos e, em alguns equipamentos, a reconstrução em três dimensões e até imagens do interior do vaso.


ÚTERO





A embolização de mioma uterino é um dos procedimentos mais comuns da radiologia intervencionista. Mioma é um tipo de tumor benigno que surge na parede do útero, bastante recorrente em mulheres na faixa de 30 a 40 anos.



A embolização é a injeção de minúsculas partículas que bloqueiam o fluxo sanguíneo que alimenta o mioma, fazendo-o regredir e solucionando o problema com um grau de sucesso entre 85% a 95% dos casos. Este tratamento pode ser uma alternativa efetiva à cirurgia tradicional, na qual é retirado o mioma (miomectomia) ou todo o útero (histerectomia). Na embolização, a anestesia é local e o tempo de recuperação é menor. O retorno às atividades profissionais e pessoais é rápido.


ARTÉRIAS E VEIAS VASOS






A radiologia intervencionista conhecida como vascular envolve todos os procedimentos que utilizam artérias e veias como via de acesso para que o catéter chegue ao órgão doente. Porém, em se tratando das próprias veias e artérias, a técnica também tem muito a oferecer, principalmente no tratamento de embolia de pulmão e varicocele. Também são realizados, por meio dessa especialidade, procedimentos para reabrir ou ampliar vasos sangüíneos obstruídos, como no caso de arteriosclerose (endurecimento das artérias) e aneurisma de aorta abdominal e torácico, além da dilatação das artérias carótidas e vertebrais que levam o sangue ao cérebro. O fechamento da passagem de sangue pode levar à perda de membros, derrame cerebral ou comprometimento de órgãos vitais por ocorrência de infartos, derrames e aneurismas. A técnica também possibilita a abertura de um acesso venoso central, recomendado para pacientes que fazem tratamento de hemodiálise ou quimioterapia. Um tubo é inserido pela pele, obtendo-se um acesso simples e indolor para medicações ou coleta sanguínea, livrando o paciente da irritação e desconforto de repetitivas picadas.


CÂNCER






Para pacientes com câncer, a radiologia intervencionista é uma aliada cada vez mais importante tanto na biópsia quanto no tratamento mais rápido, seguro e indolor. Segundo o oncologista Dr. Valdir Furtado, a técnica pode ser utilizada quando o câncer não tem indicação cirúrgica, e principalmente nos casos de câncer de pulmão, mama, ovários, testículos, linfomas e leucemias.



Para alguns tipos de tumores, a quimioembolização é a técnica de tratamento indicada. Pelo catéter, é injetada uma combinação de medicações quimioterápicas para eliminar as células cancerígenas, seguida de pequenas partículas para bloquear as artérias que alimentam o tumor. Este procedimento não significa a cura, mas estudos mostram que em 70% dos casos reduz as lesões, as dores, melhora a qualidade de vida e pode aumentar a sobrevida. A quimioembolização permite evitar ou atenuar os efeitos colaterais das drogas, como quedas de cabelo, náuseas e vômitos. Outra alternativa para o tratamento dos tumores de fígado é a radioablação, realizada através da inserção de uma agulha pela parede do fígado. Esta é ligada a uma fonte geradora de radiofrequência que faz com que o tumor seja integralmente destruido através de uma energia semelhante ao forno de microondas.

CÉREBRO



Em relação à neurologia, a radiologia intervencionista volta-se para o diagnóstico e tratamento de doenças do cérebro, cabeça e pescoço, por meio de um catéter que viaja dentro do corpo através dos vasos sanguíneos. No tratamento de aneurisma cerebral, o catéter chega até o local e serve de condutor para fios muito finos de metal (as micro-molas de platina) que ocupam toda a área e isolam o aneurisma, impedindo a entrada do sangue e o rompimento da lesão, solucionando o problema sem a necessidade de cirurgia. A técnica é chamada de embolização de aneurisma cerebral.


FÍGADO



Um tipo de tumor de fígado, chamado carcinoma hepatocelular, comumente associado à cirrose e ao vírus da hepatite C, tem entre as indicações específicas de tratamento a ablação por radiofreqüência. O método consiste na introdução de uma agulha que chega ao tumor e conduz uma onda de radiofreqüência, “queimando” e destruindo células afetadas pelo câncer. Todo o procedimento é guiado por imagens geradas através de aparelhos de utra-som, tomografia computadorizada. O shunt intra-hepático porto-sistêmico, conhecido no meio médico através da sigla em inglês “tips” e realizável por poucos profissionais radiologistas intervencionistas em nosso país, também é muito comum e cria uma comunicação entre duas veias dentro do fígado, fazendo com que o estado de hipertensão dentro do sistema venoso da veia porta(veia que leva sangue ao fígado), comum em pacientes com cirrose hepática, seja descomprimido. Coloca-se um stent (tubo metálico) para garantir uma maior durabilidade deste procedimento. Outro procedimento intervencionista a drenagem biliar, em que um cateter é colocado através da pele do interior do fígado para drenar a bile. A necessidade deste procedimento é em geral devido a uma obstrução dos dutos biliares, responsáveis pelo carregamento da bile do fígado ao intestino e que, quando ocorre, leva o paciente a um quadro de indisposição e coceira (prurido) intenso, com perda significativa da qualidade de vida.


COLUNA



Na área ortopédica, a radiologia intervencionista trata principalmente dores na coluna vertebral, um dos males que mais atinge homens e mulheres em todo o mundo. Um exemplo no qual este método se aplica com alta taxa de sucesso (em torno de 80% a 90% dos casos) é no tratamento de vértebras fraturadas ou fraturas associadas a doenças como a osteoporose. Para estes pacientes, a indicação mais adequada é a vertebroplastia percutânea, um procedimento que utiliza cimento ortopédico injetado diretamente na vértebra que apresenta a lesão, criando um bloco sólido que dá sustentação e elimina dores, mesmo em pacientes muito idosos e com quadro avançado de osteoporose. A volta às atividades normais, após a intervenção, pode ser feita em dois ou três dias, acelerando não só a recuperação física como também melhorando a disposição psicológica dos pacientes, que retomam a independência e a funcionalidade dos movimentos.



Esses são apenas alguns exemplos de todos os benefícios que a radiologia intervencionista tem a oferecer. Sem dúvida, essa especialidade torna-se, a cada dia, mais relevante na medicina, envolvendo mais de cinqüenta tipos diferentes de procedimentos por todo o corpo, com as mais diversas finalidades. A melhoria constante nos equipamentos angiográficos e nos materiais possibilita, cada vez mais, o tratamento de doenças de forma menos agressiva para o paciente. “A radiologia intervencionista não é mais um diferencial nos hospitais, mas sim uma necessidade. A interdependência das várias especialidades médicas com a radiologia intervencionista chega ao ponto de tornar um fator de risco adicional a não-existência deste serviço”, considera o Dr. Corvello. Um futuro brilhante nos espera.



Fonte: Instituto de Radiologia Intervencionista do Paraná